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"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)

"One day I will speak freely; I'll be less afraid and measured outside of my poems and lyrics and art." (Alanis Morissette)

"Espere sentado ou você se cansa; está provado, quem espera nunca alcança." (Chico Buarque)

"You're just an empty cage, girl, if you kill the bird." (Tori Amos)

"Eu existo porque penso; tenso, por isso insisto." (Zeca Baleiro)

"It's not hard to grow when you know that you just don't know." (Damien Rice)

"E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora, é se respeitar, sua força e fé, se olhar bem fundo até o dedão do pé!" (Gonzaguinha)

 


 

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{Domingo, Junho 28, 2009}




SOBRE O MEDO
(Gabriela Maria)

É quando ele me coloca nesta situação,
de plenitude,
em que tudo tenho a perder.

Ter nada é mais tranquilo.

E é assim que viver
deliciosamente dói.

Publicado por Gabriela Maria às 12:47 AM



{Terça-feira, Junho 23, 2009}


DE MIM
(Gabriela Maria)

Me assalta o remorso de ter e de ser mais do que realmente mereço. Imersa em tanto afeto, tanta verdade, tanta paciência. Será que eles não vêem nem sentem a pequenês deste abraço enfarpado?

É essa a solidão à qual me refiro, de que ainda não consegui me livrar. A solidão em que desamparo a mim mesma por me sentir desamparar o mundo. A recusa a esta vida que se me brota insuportavelmente bela e quente a cada novo instante.

E esta exaustão por tanto tudo receber. E receber. Tudo e nada em mim, menos eu. Barriga de aluguel carregando mundos alheios. Uma grande farsa.

Tudo vem e eu quero desesperadamente que vá. Que eu vá. Ou que eu venha. Mas que EU.

E de repente entendo a acusação de Fernando Pessoa ao inventor do espelho, de haver envenenado a alma humana. Palavras, de espelho, me algemam e impulsionam este drama. Realidade virtual. É o meu máximo cavando o buraco em que me enterro, em conceitos, em definições mil.

E eu, que não suporto prisões, escapo. Sou. E eu, que não suporto a fé, enlouquecidamente, tento enquadrar fluidez. Escorro. Eu-água, eu-mundo, lavo espelhos, desafio linguagens. Um espelho, por mais limpo e fiel que esteja, não é o real, embora me pareça, ao real, o possível mínimo acesso.

Minha caverna platônica tem paredes de espelhos. E é por eles que aqui escorro. Lavo. Não. Seu. Véu. Vão. Som. Léu. Dor. Luz. Céu. Pão. Deus. Chão. Meu. Sim. Eu. Sem. Fim.

Publicado por Gabriela Maria às 2:43 PM



{Terça-feira, Junho 16, 2009}




DOS PERIGOS DE UMA FESTA À FANTASIA
(Gabriela Maria)

um vulcão vestido em mármore
fez questão de esquecer
que dureza nenhuma escapa
à furiosa dança de lavas

- pés sobrevivam à meia noite
e à fusão de belos sapatos.

Publicado por Gabriela Maria às 12:39 AM



{Sábado, Junho 13, 2009}


ACORDO
(Gabriela Maria)

Não liguei pra você
pra falar de saudade
ou dizer que evito, em vão,
pensar em nós.

Não liguei pra rirmos juntos
de qualquer coisa boba
ou pra saber como foi seu dia
e contar sobre o meu.

Não liguei pra ouvir sua voz,
risada e respiração
nem pra ouvir de você o meu nome
e dizer, convulsa, o seu.

Não liguei pra falar de música e poesia,
de filosofia e cinema,
de estrelas e política.
Não liguei, simplesmente.

E você não ligou.

Porque a linha do telefone
denunciaria ausências.

E somos pura presença.
Um no outro.
Transcendendo, subliminares,
espaço, silêncio e tempo.

(escrita em agosto de 2006)
*Transcendendo espaço, silêncio e tempo.

Publicado por Gabriela Maria às 12:25 AM



{Quarta-feira, Junho 10, 2009}


Poesia mente muito falando verdades.
Inclusive esta.

(Gabriela Maria)

Publicado por Gabriela Maria às 12:06 PM




DE AS PESSOAS GOSTAREM TANTO DE RIR DO QUE, PARA ELA, É ASSUNTO MUITO SÉRIO
(Gabriela Maria)

Sozinha,
cheia de (ser) (en)graça(da),
Cecília chora.

Publicado por Gabriela Maria às 11:58 AM



{Segunda-feira, Junho 01, 2009}




CHORUME
(Gabriela Maria)

Que se limite a feder
e não rasgue o chão
sobre o qual se sustenta este lixo.

Que não escorra estéril
buscando fundo de poço.

Publicado por Gabriela Maria às 11:30 PM


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