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"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)
"One day I will speak freely; I'll be less afraid and measured outside of my poems and lyrics and art." (Alanis Morissette)
"Espere sentado ou você se cansa; está provado, quem espera nunca
alcança." (Chico Buarque)
"You're just an empty cage, girl, if you kill the bird." (Tori Amos)
"Eu existo porque penso; tenso, por isso insisto." (Zeca Baleiro)
"It's not hard to grow when you know that you just don't know." (Damien
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"E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora, é se respeitar, sua
força e fé, se olhar bem fundo até o dedão do pé!" (Gonzaguinha)
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Segunda-feira, Novembro 24, 2008
RIMAS MNEMÔNICAS
(Gabriela Maria)
O que acontece
lembrando o que foi.
A essência se repetindo,
em (uni)versos paralelos,
contextrofes diversas.
Rimas ricas e pobres
delineiam o encanto lírico que nasce
de inescrutáveis biografias.
Das pobres,
comuns velhos vários erros;
a frágil espiral do que não vingará.
Das ricas,
surpresas breves, leves de chumbo
marcam, dos (uni)versos,
finais fendidos ao que virá.
Publicado por Gabriela Maria às 1:32 AM
FÊNIX
(Gabriela Maria)
O
corpo
pára.
Porque-a-cabeça-dispara.
Se já não há
o que pensar,
de tanto que se pensou,
é lógico, ao corpo,
lamentar o que,
passivamente,
passou.
Aí sim,
quando a cabeça
desacelera
é que o corpo,
enfim urgente,
opera.
Publicado por Gabriela Maria às 1:12 AM
Domingo, Novembro 23, 2008
VOCÊ
(Gabriela Maria)
Vai ser pra sempre.
Por mais coisas que aconteçam
entre agora e o resto da vida.
Por menos que você queira,
por menos que você acredite.
Silenciosa, sutil,
nostálgica e docemente.
Em mim
vai ser pra sempre.
Publicado por Gabriela Maria às 4:49 PM
Quarta-feira, Novembro 19, 2008
DA REJEIÇÃO
(Gabriela Maria)
É quando alguém se recusa
a abrir-nos a porta
ao querermos tanto entrar.
É quando dói.
É quando a gente se recusa
a abrir a porta a alguém
que definitivamente merece entrar.
É quando dói
fazendo-nos desejar
batendo, todas as portas
a nós trancadas.
Publicado por Gabriela Maria às 9:43 PM
Quinta-feira, Novembro 13, 2008
DE ESCREVER CERTO POR LINHAS RETAS
(Gabriela Maria)
Tudo o que Camila queria era esquecer o amor fugaz, que fez dela a própria euforia durante aqueles cinco dias macios, contados. Contados também os dois meses posteriores que a separaram do definitivo ponto final. Como produto, uma dor vermelha, asfixiante, aguda, já se arrastava por mais insuportáveis dois meses.
Trazido por estes mesmos dois meses, um branco brando par de braços quentes acolheu Camila que, nele, em súplicas, se agarrou forte, implacavelmente. A dor vermelha foi, amparada, desaparecendo... mas ficou por dentro um lago amarelo, profundo de solidão; tanto, tanto medo de se afogar nele! E durante curto tempo – para ela; provavelmente longo e exaustivo para tais braços – tudo o que Camila pôde foi demandar socorro.
Os braços. Brancos, brandos braços. Abraçaram o desespero da moça até se enfraquecerem. Em silêncio ensurdecedor, eles perdiam gradativamente a força e deixavam Camila em fúria inflamável, quase insana. Eles tinham de suportar! Por que se afrouxavam daquela maneira, se ela continuava segurando forte? Tão fracos e tão furiosa, abruptamente soltaram-se.
Camila inevitavelmente se deixou afundar no lago amarelo. E, de lá, por extensos tantos meses, bradou a culpa do maldito par de braços pela indiferença, pela fraqueza, pelo silêncio.
Hoje, plena de saudável respiração, ela se banha nesse mesmo lago íntimo algumas vezes – sem o desespero do afogamento. E tem pedido, em sincero e afável silêncio, perdão. A si mesma e aos brancos solícitos brandos braços por tê-los tão equivocadamente julgado.
Publicado por Gabriela Maria às 12:33 AM
Sábado, Novembro 08, 2008
REPARA
(Gabriela Maria)
E, tantas vezes,
em seus relacionamentos,
com peneiras tapou sóis.
Hoje reflete indigesto
a respeito de sóis e peneiras
perguntando-se quem é qual.
Publicado por Gabriela Maria às 8:38 PM
Domingo, Novembro 02, 2008
ELISA
(Gabriela Maria)
E mais pessoas verdadeiramente importantes tiveram de, por qualquer motivo – que nunca é um motivo qualquer -, partir da sua vida. Mas ela não vai novamente cometer aquele erro; não vai guardar num baú as sementes deixadas por esses emigrantes e ficar contemplando com sofrimento as flores e os frutos que poderiam ter nascido. Ela vai cultivar em si com carinho, cada semente, e permitir que floresça. E vai regar, todos os dias, a beleza infinita de seu jardim de ausências.
Publicado por Gabriela Maria às 9:10 PM
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