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"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)

"One day I will speak freely; I'll be less afraid and measured outside of my poems and lyrics and art." (Alanis Morissette)

"Espere sentado ou você se cansa; está provado, quem espera nunca alcança." (Chico Buarque)

"You're just an empty cage, girl, if you kill the bird." (Tori Amos)

"Eu existo porque penso; tenso, por isso insisto." (Zeca Baleiro)

"It's not hard to grow when you know that you just don't know." (Damien Rice)

"E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora, é se respeitar, sua força e fé, se olhar bem fundo até o dedão do pé!" (Gonzaguinha)

 


 

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{Segunda-feira, Outubro 27, 2008}




AUTO-RETRATO
(Gabriela Maria)

Sou o que sinto e,
enfim, quero sê-lo.

Publicado por Gabriela Maria às 12:31 PM



{Sábado, Outubro 25, 2008}




DA INSISTENTE EXPRESSÃO
(Gabriela Maria)

Não tenho falado especificamente apenas de mim ou de você. Nem do filme ou da poesia e das músicas que me comoveram. Mas tudo isso confluiu em minhas catarses e na inspiração. Portanto não tente entender a que(m) me refiro em cada frase. A intenção é maior, traduzida na expressão inteira – não em suas partes.

Escrevo para você, anônimo, que lê, como escrevo para mim mesma e especialmente para aqueles que amo, porque é isto o que eu desejo a todos – que vejam, sem menosprezo, a própria beleza – interna e externa. É o que tenho, aos poucos, aprendido.

Sobre perdoar e perdoar a si mesmo; sobre sentir, não fugir - a gente se recusa muito a sentir as coisas. Temos medo dos sentimentos bons, porque achamo-los efêmeros demais. Tememos os ruins por causa do sofrimento que provocam. Tem gente que foge através das drogas, tem gente que dorme o dia todo, tem gente que se concentra de maneira exaustiva no trabalho ou nos estudos, enquanto outros consomem, compulsivamente.

Eu nunca tinha encontrado um jeito de tentar me amar; achava que era uma questão de gosto – eu não gosto de jiló e pronto; não gosto de mim e pronto... talvez eu não faça meu tipo, sei lá -, mas a verdade é que eu me recusava a sentir, por não gostar dos meus sentimentos.

E de repente, talvez mais que de repente, descobri que a minha chave pode ser essa – talvez esta chave possa abrir outras portas: sentir, parar de fugir dos sentimentos bons e dos ruins; amar o que sinto e me amar, porque sou tudo o que sinto. Porque sentir é tão humano, tão bonito. E eu sinto tanto...

Ontem, numa entrevista, Rubem Alves disse: "ostra feliz não produz pérolas" – e explicou: a ostra só produz a pérola, como o corpo produz um tumor, pra se defender da areia que a irrita. Partindo dessa idéia, ninguém é obrigado a ser feliz, mas seria bom que todos vissem beleza inclusive nos sofrimentos. Porque se a areia não importuna a ostra, esta permanece vazia.

A depressão, a excessiva tristeza, o sofrimento que, na maioria das vezes, eu nem sei direito de onde vem, já me mostraram tantas pérolas! E só agora eu começo a percebê-las.

Tenho ainda muito a aprender e melhorar. Sempre temos. Mas sei que estou encontrando e me concentrando em meu caminho.

Como disse o meu pai: “se você acha que isso é um limão, faça uma limonada. Se você acha que é um monte de bosta, faça dele esterco e plante uma flor” - foi a coisa mais bonita e gentil que ele me disse nos últimos dias; colocou minhas armas no chão; fez-me perceber como eu sou tantas vezes injusta com ele por não entender nas entrelinhas, nem em linhas retas conseguir demonstrar, o grande amor recíproco entre nós dois.

Então leia novamente. Leia mil vezes, se preciso, e pense sobre isto. Porque tudo o que mais desejo agora é que este texto ajude alguém. Independente de quem seja, sentir-me-ei bem sucedida.

Fiz o propósito comigo mesma e com minha família de que tiraria este tempo para me recuperar e nunca mais recair nessa depressão. Tenho certeza de que estou conseguindo. Estou sentindo tudo o que tenho para sentir - mas a depressão, essa não a sinto mais.

Por isso mais uma vez escrevo, insisto: é também minha necessidade urgente de me registrar saindo daquele buraco. Se um dia novamente eu cair, pois, terei aqui a minha própria receita para voltar ao topo. Porque quando estamos no fundo do poço, sozinhos não enxergamos nada além do chão. E hoje, sozinha consigo ver o céu.

Publicado por Gabriela Maria às 5:13 AM



{Sexta-feira, Outubro 24, 2008}




DESTE INSTANTE
(Gabriela Maria)

Há em mim um grande medo
de encontrar, por perto,
a pessoa que entende
- e, comigo, se comove -
com tudo o que vejo.

Um grande medo de que,
mesmo ao lado dela,
este sentimento de solidão
insista ficar.

Publicado por Gabriela Maria às 3:17 AM



{Quarta-feira, Outubro 22, 2008}




DA CEGUEIRA À EXPRESSÃO
(Gabriela Maria)

Por favor, não fuja! Você não tem por quê. Dê uma boa olhada à sua volta - às vezes para isso é preciso que se feche os olhos. Feche os seus. E veja: veja tudo o que há no mundo; veja quantos sonhos e paixões você tem deixado pra trás; a quantas coisas, em que você tanto acredita, tem renunciado - por que(m) você as renuncia, se acreditamos para viver, e vice-versa?

Veja todas as suas possibilidades; veja, sem menosprezo, quem é você, e como é bonito. Quantas pessoas o amam, às vezes meio sem jeito, mas amam tanto, tanto, que falham, tentando acertar - elas o amam incomensuravelmente e fazem o que acreditam ser certo e melhor para ver você feliz - fazem tudo o que podem. Por que não perdoá-las? Elas amam porque você existe; porque é tão bonito; e porque, simplesmente, você é. E veja quantas pessoas você tanto ama – sem porquês – e, mesmo assim, dando o seu melhor por acreditar que vai funcionar, você falha com elas. Sim, você falha com as pessoas que mais ama e não se perdoa por isso. Por que não se perdoar, se você faz tudo o que pode?

E sinta, porque vivemos para sentir, e vice-versa. Permita-se. Sinta tudo isso que fer(v)e aí dentro. Permita-se amor, ódio, alegria, tristeza, raiva, gratidão, desejo, asco, vazio, compressão, angústia, serenidade, medo, coragem, carência, satisfação. Sinta e ame profundamente o que você sente. Sinta-se – ame-se. Porque é você aí dentro – você é aí dentro. Então não fuja, fique. Vire-se do avesso, com calma... procure-se. Encontre-se, pois. Porque o que realmente existe de nós transcende, por sentimentos, todos os sentidos.

Então respire fundo... abra os olhos. E, definitivamente, veja! O mundo é belo e você também é. Você pode e sabe que pode. E você quer. Então escolha como expressar isso – sorrir ou chorar, não importa. Expresse a todo momento o que de belo você percebeu. E perceba, a partir de agora, quanta beleza você sempre expressou.

Publicado por Gabriela Maria às 9:12 PM



{Domingo, Outubro 19, 2008}




ORAÇÃO PELO “AMOR LÍQÜIDO”
(Gabriela Maria)

Pai, apiede-se dos indivíduos deste mundo moderno
e faça-nos parecer menos inescrutáveis,
menos intransponíveis as distâncias entre nós
e mais duradouras nossas interações.

Porque, todas nossas solidões e carências,
já consumimos, compulsivamente, e,
nem assim, elas nos satisfazem
- elas gritam, na madrugada, desesperadas, aos nossos ouvidos exaustos.

Pai, torne-as, pois, menos insuportáveis.
Se possível, disponha divinas amáveis companhias
no trabalho, na arte, em geladeiras, armários, portais de busca, vitrines, prateleiras.

E peça aos anjos que toquem, em harpas e trombetas,
a mais terna e sonora canção de ninar.
Porque precisamos, Pai, literal e urgentemente, dormir em paz.

Publicado por Gabriela Maria às 8:53 AM



{Sábado, Outubro 18, 2008}




TUDO
(Gabriela Maria)

Eu tenho escutado desde criança a grande lição: "não dê tudo de uma vez; dê aos poucos; tenha sempre algo novo pra que eles se surpreendam; até Maquiavel disse que o bem se faz em doses homeopáticas". Mas eu insisto. Dou tudo o que de belo tenho hoje - todo o meu sentimento, todas as palavras que não conseguem calar, todos os abraços que não podem se conter, todo o carinho que insiste extravasar. Não tenho o mínimo orgulho - não economizo perdão, nem pedidos de perdão, não escondo a saudade nem o coração moído. E digo que quero, gosto, sonho, acredito, espero, confio, agradeço. Se cada ser humano tem potenciais infinitos, terei ainda, pois, tudo mais a dar amanhã. E mais uma vez darei - um novo tudo; o tudo que cresceu, o tudo que nasceu, o tudo que se renovou. Tudo é sempre diferente, é sempre mais, mas é sempre por enquanto - e, portanto, nunca é tudo.

Hoje, tudo para você.

Publicado por Gabriela Maria às 12:47 AM



{Sexta-feira, Outubro 17, 2008}




DA HIPOCRISIA
(Gabriela Maria)

Ninguém, a princípio,
está a salvo dela.

Porque a coisa mais desafiadora ao homem
é alcançar a própria coerência
entre pensamento, sentimento e ação.

Mas só quer e, talvez possa, se salvar
aquele que tem por causa maior
morrer - com orgulho de ter vivido.

Publicado por Gabriela Maria às 8:49 AM



{Quinta-feira, Outubro 16, 2008}




DA FEIURA
(Gabriela Maria)

- Quanto tempo! Mas sua aparência
piorou demais, rapaz!

Será que o meu olhar
está deturpado pelo desdém?

Como pude?

Publicado por Gabriela Maria às 4:03 PM



{Quarta-feira, Outubro 15, 2008}


TEM SENTIDO?
(Gabriela Maria)

Para os meus filhos
quero cantar entre amarelo-bebê e alaranjado
- assim como Adriana Calcanhotto.

Mas se um dia eu consquistar os palcos
neles sim, minha música será lilás
- cor de rock n' roll orgânico e contido.

Liberdade tem cheiro de pipoca
- de imaginação explodindo moderadamente salgada.

Publicado por Gabriela Maria às 1:27 AM



{Terça-feira, Outubro 14, 2008}




INSIGHT
(Gabriela Maria)

Estou num momento muito lírico, muito mais do que freqüentemente. Há muito tempo eu nao mergulhava assim, de maneira tão passional, em poesia. Agora estou construindo um álbum virtual, ilustrando, informal, algumas poesias dos meus grandes mestres - álbum que, se um dia, completo, seria um possível mosaico de mim. Daqui a pouco meu pai fica bravo. Sabia que ele fica bravo? Meu pai acha que eu me envolvo demais com a literatura; deveras, eu me viro do avesso e começo a acontecer por dentro, e acho que quase só por dentro. Não acontecer por fora, ou acontecer pouco por fora, irrita muito o meu pai. Costuma irritar a mim também, quando não mergulho tão fundo assim na poesia. Penso, então, que a maioria dos outsiders deve acontecer muito mais, e quase exclusivamente, por dentro. Talvez eu sempre tenha tido meus períodos outsider, mas só agora percebi. Como o patinho feio que, só depois de algum - longo - tempo, descobriu ser, na verdade, cisne. =)

Publicado por Gabriela Maria às 8:43 PM



{Segunda-feira, Outubro 06, 2008}




A UM(A) GRANDE MESTRE(A)
(Gabriela Maria)

Quero ainda retribuir a sua existência com aquela maçã. Talvez eu plante um pomar em sua homenagem - ou pelo menos descreva num poema a sinestesia que essa vontade me provoca: a textura da grama, as folhas caindo, o céu azul com algumas nuvens desenhando abraços. E todas as maçãs ali, vermelhas e doces, desejando as mãos de seus alunos a lhe presentear. Por enquanto continuo contemplando a beleza delas, expostas nos caixotes das frutarias.

Publicado por Gabriela Maria às 12:22 PM


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