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"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)
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Domingo, Dezembro 02, 2007
A PORTA
(Gabriela Maria)
A madeira sente que
cada mudança de estação
traz ou leva consigo um prego.
A cada prego que vai
seu respectivo locus fica.
É cômodo e fácil,
pois menos doloroso e dolorido,
encarregar o Tempo dos pregos
e dos buraquinhos deixados pelos pregos.
Difícil mesmo é reparar a Porta
sabendo que outros pregos
hão de vir e ir.
Porque as estações continuam mudando.
Só que o Tempo não resolve
nem pregos, tampouco buracos:
o Tempo habitua a Porta
ao ir e vir das estações,
à dança ferrenha e inevitável dos pregos.
A Porta fica, aparentemente,
menos dolorida, mais resistente,
porém não menos marcada:
buraquinhos aumentam em quantidade,
aumenta a reincidência de pregos nos mesmos buracos.
Mais habituação, mais resistência.
Chega a hora em que,
de tantos buracos,
a Porta de madeira
- habituada e tão resistente -
desaparece.
Sem reparos,
sem enfrentamento e sem recomeços,
a Porta nem teve tempo pra se dar conta
de que o Tempo nada resolve.
No fim das contas, o Tempo some com a Porta.
No fim das contas, o Tempo consome a Porta.
Quem é o que sente,
quando não sente,
deixa de ser.
Publicado por Gabriela Maria às 9:28 PM
Sábado, Dezembro 01, 2007
CLAUSURA
(Gabriela Maria)
De alguma maneira
meu coração vai bem
- em paz - assim, só.
Trancado dentro de mim.
Publicado por Gabriela Maria às 8:02 PM
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