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"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)
"One day I will speak freely; I'll be less afraid and measured outside of my poems and lyrics and art." (Alanis Morissette)
"Espere sentado ou você se cansa; está provado, quem espera nunca
alcança." (Chico Buarque)
"You're just an empty cage, girl, if you kill the bird." (Tori Amos)
"Eu existo porque penso; tenso, por isso insisto." (Zeca Baleiro)
"It's not hard to grow when you know that you just don't know." (Damien
Rice)
"E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora, é se respeitar, sua
força e fé, se olhar bem fundo até o dedão do pé!" (Gonzaguinha)
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Quarta-feira, Outubro 24, 2007
PEQUENO CONTO
(Gabriela Maria)
Maria orou para que se sentisse menos sozinha. Chorou partidas justas, obtusas, doídas. Maria pediu a Deus que lhe desse forças para continuar acreditando no próximo, mesmo que, a duras penas, tivesse de crescer. E Maria pediu, com vontade, para náo sentir tanto medo.
Era tudo o que ela queria: coragem, fé e companhia. Precisamente nesta ordem.
E Deus lhe mostrou um poema.
Publicado por Gabriela Maria às 1:12 AM
ALTERNATIVA
(Gabriela Maria)
Meu espírito se apaixona,
ambulante,
por uns homens lindos e puros...
Ele vai e volta,
e ama, fugaz,
esses meninos incertos...
Espiralando,
de galho em galho,
porque no chão não se sente bem,
meu espírito vai criando asas...
E um dia ele há de voar.
Publicado por Gabriela Maria às 1:06 AM
Segunda-feira, Outubro 22, 2007
DADIVOSA
(Gabriela Maria)
Deus, peço-te que compre, então, os meus versos
porque recuso-me a equivalê-los de valor entre os homens.
E me subsidie, assim, a viver de poesia.
Publicado por Gabriela Maria às 12:42 PM
Domingo, Outubro 21, 2007
Se eu pudesse, guardava você bem escondido, numa caixinha... e não deixava nada nesse mundo lhe aborrecer, entristecer, desesperar. Não deixava nada de ruim atingir você. Abraçava-lhe forte e não soltava mais. Até a gente pôr tudo pra fora com choro, risada e suspiro... e gastava toda essa inquietação nossa com piadas, amizade, sexo e rock n’ roll.
Se eu pudesse, lhe batia até não sentir mais vontade de bater. Até você parar com essa coisa de se agredir achando que vai agredir o resto do mundo. O resto do mundo não se agride, não; só esta parte pequenina minha, que nessas horas queria não existir. Se eu pudesse, você não me provocava nem mais ódio, nem amor, nem desprezo, nem preocupação. Se dependesse de mim, nada disso seria tão puro, e eu não lhe desejava o melhor do mundo que, Deus sabe, você merece, mesmo insistindo em ter o mínimo do mínimo. Se eu pudesse, contaminava essa pureza do que sinto com um monte de pretensões, e ciúme e sentimento de posse e egoísmo e essa coisa toda que o mundo aprende a sentir pelo resto do mundo, o resto da vida.
Se eu tivesse dinheiro, e se dinheiro comprasse, eu lhe comprava uns óculos com lentes mágicas de vida, pra você enxergar, aceitar e se importar com o que realmente importa. E se eu tivesse força, lhe obrigava a usar esses óculos e a só olhar pra frente e a seguir comigo nestes caminhos longos e estreitos, em vez desses atalhos largos, de última hora, tão costumeiros, que nunca dão em lugar nenhum. Porque sozinha tambem não é fácil.
E tirava uma foto sua com a minha imaginação, fazia um pôster pra você carregar na carteira e se olhar toda hora, até acreditar nessa beleza que você sempre recusa. E depois disso tudo, eu não precisava ver você nunca mais, se isso me desse certeza de que tudo ficaria feliz para sempre. Se eu conseguisse, salvava sua vida com versos, como tenho tentado, duramente, salvar a minha própria. E me teletransportava praí, obrigava você a ler até este desabafo acabar, porque sinto que a culpa disso tudo é toda nossa.
Se eu pudesse, você já era feliz. Mas sò o que eu posso é tentar ser. Todo o resto é com você.
E se ainda tem alguém aí, avise que eu ainda estou aqui.
Publicado por Gabriela Maria às 9:26 PM
Quinta-feira, Outubro 18, 2007
VOCÊ MERECEU
(Gabriela Maria)
Sofra sozinho
Fique em silêncio
Nem um sussurro
Pague o seu preço
Só quando cresci
Foi que percebi
De nada adiantou
Emprestar o ombro
Em vez de chorar
E se abastecer
Zombou do meu sim
Me fez soluçar
Só fugiu de mim
Agora nem vem
Lamente ao relento
E ouça de longe
Me veja feliz
Dançar e cantar
Música que eu fiz
Dá o fora daqui
Vá viver sem medo
Se, o que conseguir
Já não é segredo
Ser tão triste assim
Sofra sozinho
Agüente calado
Nada de ombro
Fuja de mim
Lamente ao relento
Vá e viva sem medo
Dá o fora daqui
Suma de mim
Em suma, é o fim
Você mereceu.
Publicado por Gabriela Maria às 10:20 PM
Terça-feira, Outubro 16, 2007
COMO DEVE SER
(Gabriela Maria)
Ainda que os seus olhos tirassem fotos,
não apreenderiam, sozinhos,
a imagem que realmente importa.
Essa só seu pensamento tem.
E agora, bem ou mal,
sem photoshop.
Publicado por Gabriela Maria às 12:45 AM
Quinta-feira, Outubro 11, 2007
PROPOSTA INDECENTE
(Gabriela Maria)
Mário Quintana e você
carregam o mesmo signo.
Isso deve explicar nos entendermos tão bem.
- Ele e eu, você e eu.
Entenda-se, como eu, com ele.
E formemos o triângulo.
Publicado por Gabriela Maria às 2:00 AM
Terça-feira, Outubro 02, 2007
INSONE
(Gabriela Maria)
Hoje não escrevi nenhum poema,
não cantei nenhuma música
nem ri de qualquer piada.
Só precisei e quis chorar, chorar e dormir.
Estou cercada de ausências
que eu mesma criei e as tenho mantido,
conscientemente, alimentadas.
Tudo tem parecido vazio, sem sentido, automático.
Nem me empolgam mais os ultimos capítulos da novela
nem os romances mais clássicos dos filmes.
Porque o amor, daquele jeitinho, recíproco, feliz, complementar
- esse amor, me parece, não existe!
Não acredito nem quero mais acreditar.
Talvez a solução seja mesmo me esvaziar,
desprover-me de sentido, automatizar.
Sentir é algo que já não cabe nestes mundos.
Nem aqui dentro nem fora.
O pecado da cabeça que pensa,
do coração que arde, do espírito que se amotina.
Publicado por Gabriela Maria às 4:35 PM
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